01
O provedor fica com o que você envia?
É o risco de que todo mundo fala — e o mais fácil de delimitar.
As contas pessoais e as empresariais de um mesmo provedor de IA não tratam igual o que você escreve: nas empresariais, usar as suas conversas para melhorar os modelos costuma vir desativado por padrão; nas pessoais costuma vir ativado, e é preciso ir lá desligar. De propósito, não citamos aqui a política vigente de ninguém: elas mudam sem aviso, e um guia que as cite vira falso sem que se note. O que vale sempre é como conferir — e está abaixo.
E cuidado com a confusão mais comum: “não treinamos com os seus dados” NÃO quer dizer “não os guardamos”. Quase todos conservam as conversas por um tempo, por segurança e abuso. São duas perguntas distintas e é preciso fazer as duas.
02
Você consegue conferir o que ele respondeu?
O risco de que quase ninguém fala — e o que pode custar caro de verdade.
Um modelo de linguagem entrega um número com a mesma segurança quando o leu e quando o deduziu. Se ele diz que o total dedutível do trimestre foi de tal valor e você não consegue ver de que documento e de que linha saiu, você não tem um dado: tem uma hipótese com formato de dado. E o problema não é errar de vez em quando — é errar sem mudar de tom.
Isso pesa mais na contabilidade do que em quase qualquer outro ofício: numa fiscalização, quem responde é você, não a ferramenta. Um dado que você não consegue rastrear até o comprovante não serve para trabalhar mesmo quando está correto, porque você não o sustenta.
03
Você tem o direito de compartilhar essa informação?
O que se esquece — porque a informação não é sua.
As faturas, a folha de pagamento e os extratos que você maneja são dos seus clientes, e contêm dados pessoais de terceiros: nomes, RFC, endereços, às vezes salários. Enviá-los a um serviço operado no exterior é, nos termos da lei mexicana de proteção de dados, uma transferência — e as transferências têm requisitos de aviso e, conforme o caso, de consentimento.
Não é uma proibição: é um trâmite que se faz bem ou se faz mal. O que não existe é a opção de não se aplicar. A autoridade na matéria hoje é a Secretaría Anticorrupción y Buen Gobierno do México (o INAI foi extinto em 20 de março de 2025). Confirme o seu caso concreto com o seu assessor jurídico: este guia descreve a obrigação, não a resolve.